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Vamos analisar friamente. Para a América latina e para o mundo, politicamente falando, Trump não representa ameaça direta. Inclusive Clinton teria muito mais possibilidades de empreender guerras por fatores econômicos, mascarar o imperialismo com falas dóceis de wall street (seus apoiadores) etc.
No entanto, isso não quer dizer que Trump é bom. Ao contrário. Trump é o pior para os etadunidenses. Adeus obama care, adeus preocupação com minorias ou mesmo com questões multiculturais (mas não multiculturalistas infelizmente) que os EUA empreenderam nos últimos 8 anos de Obama. Teremos intolerância, teremos o ódio sendo destilado e potencialmente crimes contra minorias ocorrendo e sendo mascarado com vista grossa.
A vida na terra da Estátua da Liberdade será difícil. É o tal lance da onda conservadora. Internacionalmente Trump não representa uma ameaça direta, pois sua postura é de fechar o país. O problema é justamente a impossibilidade de fazer isso com um país de passado draconiamente imperialista e que sendo uma das grandes potências do mundo, senão a maior, tem o fluxo de capital e mesmo de desenvolvimento técnico global centrado em si.
Trump é um ideal grotesco e conservador e que foi alçado ao status de ícone nestes tempos atuais de anti-intelectualismo. É uma piada de mal gosto que tem códigos com bombas nucleares em suas mãos. O que ele pode fazer é imprevisível, mas em um momento inicial quem sofrerá mais é o próprio povo estadunidense e não o mundo. Depois disso, tudo pode acontecer. O que ele pode inspirar em grupos de ódio é gigantesco e vai alem de suas fronteiras que ele tenta tanto manter longe das minorias.

 

A ideia é que a onda conservadora oriunda de 2008 se espalhe. É a única maneira que eles encontram de controlar a crise. Líderes conservadores disseminam suas falas com boa aceitação seja nos EUA, França, Inglaterra ou Rússia. A onda conservadora tem uma fé cruzadista na sua própria “verdade”. E essa onda não mais consegue ser controlada pelo jogo de cartas marcadas das potências liberais, mesmo as de mercado. Não controla as falas de Marine Le Pen na França. Não controlou Trump, assim como não controlou o Brexit. Isso é apenas mais uma evidência de que a crise de 2008 se acentua e a saída encontrada em profusão global é a agressividade política conservadora travestida de liberdade. Para os países historicamente taxados como periféricos, golpes de natureza política já ocorreram em profusão e reafirmam essa truculência anti-intelectual como saída  viável (Paraguai, Honduras, Venezuela, Egito, Ucrânia, Brasil e etc). A tendência é que esse processo se intensifique para que os países centrais mantenham seu padrão de vida pós crise de 2008 da qual o capitalismo nunca se recuperou (pelo menos até a próxima crise do mesmo).
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Não é como em 1930 que os discursos totalitários se moviam lentamente como em um jogo de xadrez. Aqui o fluxo é constante e ocorre em ritmo frenético como em um grande jogo de pac-man, onde os fantasmas devoram rapidamente suas próprias possibilidades de integração justificados pelo cruzadismo truculento. A marca é o medo. A ação é o anti-intelectualismo. O Resultado é o que vivemos. Seja no Brasil, nos EUA e no mundo.

 

 

lorient1Certo dia ao interpelar uma mulher sobre como o interceltismo do festival intercéltico de Lorient serviria para a identidade desta parte noroeste da França conhecida como Bretagne ela não soube responder. Achei de início que era uma falha do sot
aque carregado em brasilidade do meu francês, mas não. Ao repetir a pergunta, ela já exaltada me disse que não havia nada o que falar, pois ser bretã era ser intrinsecamente celta e ponto final.

Pensei inicialmente ser uma divagação de uma bretã orgulhosa, depois de algumas cervejas. Mas não. Os bretões são nesse aspecto tão irredutíveis quanto os gauleses das histórias de Asterix que era, inclusive, um bom bretão segundo nossos amigos habitantes da Armórica atual. Eles propagam que ali a resistência celta é feroz mesmo que eles só o façam em alguns momentos. As bandeiras bretãs são um exemplo disso, bem como sua cerveja local, chamado de Lancelot e com um gosto que não desce tão redondo quanto a távola dos cavaleiros que a inspiraram.

Neste aspecto, nós temos de dizer, a Bretanha se vende como celta em cada detalhe do seu turismo e em cada fala de seus habitantes. Não que eles falem muito. Sua língua bretã é ostentada com orgulho, mas entre eles. Quase nunca abertamente com exceção talvez das placas citadinas. O orgulho bretão é tímido, repleto de onirismo e uma blessé identitária que nenhum estereótipo francês pode compreender.

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E neste aspecto reside outra característica do projeto resistente da identidade celta bretã. A quem diga que sua diferenciação está na própria formação medieval da Bretanha que de forma nenhuma seria dominada pelos Francos. Eles seriam resistentes celtas que afunilados pelos Francos aos confins do fim do mundo armoricano olhariam para outras paragens. Bem verdade que isto é uma construção deveras poética da franja celta, mas é incrível como essa celtitude bretã é externa. O problema aqui não reside em nenhum problema de identidade, salvo suas questões regionais. A república lhe cai bem até certo ponto. Afinal, nem sempre a relação histórica entre as duas fora das mais animadas como as tentativas de supressão cultural bretã no período revolucionário jacobino mostram bem.

No entanto, isto parece ser uma querela de outro tempo e nem tão rememorada assim. O orgulho bretão fica meio que perdido nas brumas das florestas, tentando em vão achar uma utilização celta para seus alinhamentos de pedra e sua herança literária arturiana.

A Bretanha se constitui assim, céltica. Olha para o exterior periférico das demais nações celtas contemporâneas para assim achar seu valor interior perdido em meio as suas próprias brumas coletivas repletas da mais pura blessé bretã. Entre a resistência sonhadora e o sonho ancestral resistente seguem os bretões com sua celtitude.

 

Ao entrar pelas profundezas das catacumbas de Paris, o maior ossário do mundo, uma inscrição logo se apresenta: “Arrête, c’est ici l’empire de la mort”. Tenebrosos avisos a parte, a verdade é que desde o fim do século XVIII, estes corredores profundos localizados a vinte metros abaixo das ruas parisienses forma uma verdadeira cidade dos mortos.

Esqueça as minas de Moria imortrev2alizadas pelo senhor dos anéis na literatura e no cinema. Aqui, os salões de pedra e morte, repletos de crânios e fêmures é bem real. Afinal, mesmo em 1777 quando o ironicamente ‘vorpalizado’ Luis XVI criou a possibilidade de transferir as ossadas para o subterrâneo não se esperava o efeito final do trabalho terminado apenas no início do século XIX.

Uma cidade soturna e repleta de memória. Neste recanto subterrâneo de Paris, nós encontramos ossos dispostos nas mais variadas formas. Crânios formando um coração, tíbias que formam crucifixos. Entre as claustrofóbicas galerias, nós nos deparamos com a memória dos mortos que pouco a pouco provocam calafrios maiores dos que a temperatura local (normalmente em torno dos 14 C) podem suscitar normalmente. Nós nos deparamos com o que representa de fato, o ato de morrer.  O poeta Lamartine nos empresta suas palavras entre os inúmeros avisos das galerias: “Ils furent ce que nous sommes, poussière, jouet du vent; fragiles comme des hommes. Faibles comme le néante!”.

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E nesses meandros poéticos, nós podemos imaginar bem que a célebre turba morta em meio ao Faubourg saint-Antoine e que começou a revolução francesa pode encontrar-se por lá de alguma forma, bem como toda a sorte de mortos das barricadas, das lutas pela liberdade, inspiradas pela fraternidade e, sobretudo, pela igualdade que só pode ser alcançada na morte que está em toda parte nas catacumbas de Paris.

Entre as inúmeras conversas e gravações que obtive em minhas andanças pelas mais diversas regiões da Escócia, eu entendi que muitos escoceses não tão ligados assim em uma pertença gaélica própria tinham uma visão bem menos solene deste elemento em sua história nacional.

Pra ser sincero, grande parte deles apenas entende que os celtas eram aqueles grupos de tribos que chegaram ali séculos e séculos atrás em migração e buscando o extremo oeste. Na verdade, eles não sabem muito ao certo quão relacionadas estas tribos celtas eram entre si e como elas chegaram a terras escocesas para conquistar, se assentar ou pilhar por diversão.

No entanto, independente do real motivo, eles acreditam na forte relação que existe entre as línguas e a cultura escocesa, irlandesa, ou bretã. Não fica muito claro nos relatos mais banais sobre qual é de fato a ligação entre todos esses grupos na cabeça do escocês comum. Pensaria eu com meus botões que talvez todos esses escoceses apenas pensassem como o grande latinista e renascentista escocês George Buchanan pensava, mas isso era, obviamente, apenas um delírio acadêmico meu. A verdade é que a maioria dos escoceses que eu conheci nos grandes centros como Edimburgo ou Glasgow apenas acredita que o motivo dos celtas se assentarem em uma terra tão fria, úmida e montanhosa como a Escócia foi a penas um grande infortúnio e o acaso, estando os celtas tão mal informados quanto Humphrey Bogart em Casablanca.

Sendo mais preciso e seguindo a maior parte destas opiniões coletadas, eles acreditam que os tais celtas ao chegarem finalmente na Escócia descobriram que não existia mais nenhum lugar para ir e resolveram ficar, criar raízes, promover festivais e montar um time de futebol pelas bandas de Glasgow.

Assentados do jeito que estavam, segundo minhas fontes seguras, eles acabaram por desenvolver sua religiosidade por meio de homens sábios conhecidos como druidas que lideravam seus cultos junto a ambientes naturais e oferecendo sacrifícios. Estranhamente ao perguntar sobre a que fim levou estes druidas entre os escoceses todos foram unânimes ao reportar que eles não mais habitavam a Escócia, pois eventualmente todos os druidas migraram ao país de Gales para participar de extras em Doctor Who e ainda se encontram por lá fazendo seus próprios festivais.

Além disso, eles acreditam que os antigos celtas (e os mais moderninhos também) deixaram grandes contribuições para eles, como as placas nas rodovias das Highlands deixam bem claro. Isso sem contar todo aquele aparato de ferro encontrado nos museus que ajudaram a Escócia à produzir tudo aquilo que realmente valeu a pena ser produzido em escala industrial no mundo como ferramentas, armas, arreios de cavalos, carruagens, elmos para jogar Shinty, espadas e aquilo que mudaria a história da Escócia para sempre, o Irn-Bru.

 I made my song a coat
Covered with embroideries
Out of old mythologies
From heel to throat;
But the fools caught it,
Wore it in the world’s eyes
As though they’d wrought it.
Song, let them take it,
For there’s more enterprise
In walking naked.

– W.B.Yeats; A Coat.

Iniciando aqui algumas notas e pensamentos sobre a dificuldade de se compreender o celticismo por suas falas ao redor do mundo. A dificuldade que essa proposta tenta lançar suas primeiras perguntas é a dificuldade das diferentes falas que constituem o “ser celta” moderno e seus principais desafios de definição ou indefinição.

A ideia de um “ser celta” moderno e atuante é marcado por tradições inventadas e estereótipos historicamente marcados. Uma rápida passagem pelos pubs e casas familiares da costa atlântica europeia nos revela que a construção de um pertencimento celta moderno é repleta de falas subalternas apropriadas em um discurso de dominação muitas vezes legitimados pelos próprios viventes.

Isso ocorre porque a voz céltica é subalterna em sua própria etnicidade. Sua polifonia em meio a franja céltica é formada por inúmeros fatores culturais e, sobretudo, sua característica mais marcante: seu ethos periférico.

O sentimento de periferia é algo que permeia suas principais formas de afirmação, atribuição e representação. Não é por menos que entre todos os grupos modernos que advogam a pertença étnica céltica, é a Irlanda, a nação mais geograficamente periférica entre elas que ganha o status referencial na matéria céltica amplamente divulgada entre seus grupos correlatos atlânticos e com grande visibilidade global neste sentido.

A pertença periférica é referendada por sua própria fronteira étnica em constante e latente delimitação. Seus pontos de articulação culturais quase sempre atribuídos e representados enquanto resistentes apresentam dentro de sua afirmação identitária algo de difícil entendimento para nossa concepção acadêmica, pois para além de seu caráter mutável próprio da formação de uma fronteira étnica céltica, ela também possui vozes dissonantes e silenciadas em seu processo de formação ao longo da História.

Nosso interesse aqui recai então menos sobre o aspecto periférico da imagem deste “ser celta” moderno e mais sobre o caráter subalterno destas vozes dissonantes e silenciadas na polissemia céltica deste mundo atlântico europeu.

Entretanto não o fazemos por pura idiossincrasia acadêmica. Nosso interesse aqui é tentar compreender minimamente a possibilidade de uma fala subalterna ser referendada em algum nível, mesmo em um nível institucional ou profundamente comodificado como é o mundo celta contemporâneo.

É por este interesse inicial que a classificação consagrada sobre o aspecto periférico da identidade céltica europeia não será tão aprofundada aqui, principalmente por este conceito ser determinado em meio as fronteiras étnicas em disputa e marcado principalmente pela fala opressora e “central” de um projeto dominador identificado como madrileno, parisiense ou britânico.

A atuação da fala subalterna é o desafio e talvez a chave de entendimento para a diversidade polissêmica existente no mundo céltico moderno com suas falas resistentes. Afinal, a possibilidade de inserção destas falas célticas dentro de uma base representativa institucional suscita uma série de dúvidas sobre sua legitimidade que pretendemos de alguma forma compreender melhor.

Neste sentido nossa dúvida argumentativa inicial é bem simples: Pode a fala céltica subalterna ser compreendida e validada dentro do mundo celta institucionalizado e muitas vezes comodificado?

Pode essa fala subalterna ser apreendida dentro de suas diferentes formas de afirmação, atribuição e representação no interior da franja céltica? Como identificar a fala subalterna na franja céltica europeia e como entendê-la por meio de rituais institucionais sem que esta escape ao nosso entendimento?

Como podemos ver, as dúvidas são tão plurais quanto a própria definição céltica do “ser celta” moderno e suas demais representações resistentes de carater político, cultural ou econômico. Afinal, se a fala subalterna é desafiante como campo de estudo em termos gerais, imaginemos o grau de complexidade quando aplicado a polissêmica e ambivalente área dos estudos célticos com seus conflitos internos e silêncios estruturais.

Nestes termos, é entre as diversas tradições inventadas e o preconceito institucional proveniente dos grandes centros onde reside aquela indefinição misteriosa e por vezes auspiciosa que seja como estratégia de dominação ou tática de sobrevivência mantêm o “individuo celta” nesse entremeio social, reexistindo com certo orgulho ferido em meio a batalha já perdida de sua afirmação no mundo. Tudo isso investido de um ‘saber fazer’ subalterno que usa dos mecanismos globais para promover sua fala local resistente e negligenciada por séculos.

É nesta indefinição brumosa que a fala de Gaiatry Spivak é por nós resignificada junto a franja céltica. Afinal, pode o subalterno celta falar? E se fala, de que maneira ele pode se afirmar resistente, atribuir a si algum valor e se identificar para além do emaranhado nó celta de representações estereotipadas?

Uma esfera pública de Kilt: O modelo político celta e o referendo de 2014.

2014 é um ano relevante para a política escocesa. Negligenciada por séculos, as querelas nacionais voltam a fazer parte da pauta política escocesa e do entendimento subjetivo, social e objetivo das vivências públicas da Escócia

O diálogo e o debate acerca do referendo de 2014 e a possibilidade de independência do país catalisa certas falas nacionalistas que cresceram nas últimas décadas e culminaram no próprio referendo. Artigos são publicados semanalmente em periódicos e o mundo todo acompanha dia após dia as campanhas tanto pelo sim quanto pelo não e o crescimento jamais visto dos simpatizantes de uma independência escocesa.

Os defensores do não se apegam a um discurso exacerbadamente objetivo e socialmente normativo. Falam dificuldades de reestruturação econômica e apelam para papéis de interesses privados que possa influenciar a esfera pública e consequentemente o sistema político inserido na mesma.foto 1

Os defensores do não vendo que muitos de seus esforços não foram demasiado convincentes aos possíveis eleitores do  sim que atingiram uma margem de 51% de aprovação segundo pesquisas datadas do início de Setembro de 2014, adotaram até mesmo para bases afetivas da imagem consolidada do ideal britânico no mundo globalizado, elementos de confiança etc.

Em muitos casos esses discursos eram aplicados até mesmo sobre questões estéticas menores, como possíveis novas union jacks[1]e como isso pareceria de certo um ataque a tudo aquilo que os definia enquanto britânicos. No entanto, ao que parece os escoceses não se entendem muito como britânicos, pois em geral eles têm plena consciência de que ser escocês é basicamente não ser inglês e não ser britânico.

Para além das construções identitária escocesas e suas diferentes leituras do seu próprio projeto reflexivo do eu escocês que perpassa as vivências etno nostálgicas das lowlands e highlands, a campanha pelo sim a independência da Escócia não foi construída da mesma forma e segundo consta foi fruto de uma evolução das próprias dinâmicas políticas escocesas nas últimas décadas.

Segundo o cientista político Kurt w. Jefferson, a Escócia possui um sistema político que pode ser definido como um sistema céltico e que encontra paralelos na chamada franja céltica atlântica sobre outras regiões também entendidas enquanto celtas.

Este sistema político definido como céltico por Jefferson encontra ressonância nas demandas da esfera pública organizada e no agir comunicativo escocês cada vez menos conservador e cada vez mais ligadaàs demandas trabalhistas e nacionalistas nas últimas décadas.

Isso ocorre porque na Escócia nós encontramos hoje um sistema de limitado pluralismo partidário bem consolidado e que permitiu o crescimento de falas que por décadas, e por que não dizer por séculos, foram negligenciadas pelo centralismo do projeto britânico e das ideias de um estado unificado sob a batuta inglesa.

Esse sistema de pluralismo partidário escocês é composto em geral por cinco partidos atuantes. Em ordem de expressividade hoje nós temos o Scottish Labour Party, seguido do Scottish National Party, dos Scottish Liberal Democrats, dos Scottish Conservatives (Tories), dos Scottish Socialists e por fim dos Scottish Greens.

Cada partido possuindo sua própria pauta que vai desde as causas trabalhistas e nacionalistas com maior número de adeptos, as causas conservadoras, liberais e em menor escala o discurso socialista e verde com menos adeptos, mas também mais novos em sua formação.

Entender o referendo por independência é na verdade entender como o sistema político escocês se transformou por meio da influencia da sociedade civil em sua esfera pública e suas demandas étnicas.

A variação de papéis existentes nas relações sociais escocesas cresceu desde sua melhor estruturação partidária em finais do século XIX e atualmente no início do século XXI ela encontra-se bem amadurecida em sua formação pluralista.

Basta notarmos a ascensão do partido trabalhista escocês nas últimas décadas e a decrescente influência dos tories conservadores no mesmo período. A influência de políticas trabalhistas, sobretudo, após os anos de influência do governo Thatcher no Reino Unido são notórias e em muito são fruto das representatividades escocesas a época.

Como nos indica Jefferson sobre esta influência escocesa, muitos articulistas políticos britânicos apontam que a própria política trabalhista de Tony Blair a partir de 1997 e seu caráter conciliatório com relação as tensões sociais é fruto deste estar cercado de conselheiros de base trabalhista escocesa, o que abriu portas para demandas até então impensadas sobre representatividade no Reino Unido.

No entanto, o ponto de articulação destas propostas políticas reside no crescimento do partido nacionalista escocês que desde a década de 1970 aumentou visivelmente tanto em expressividade quanto em notoriedade. É sobre o crescimento deste ideal nacionalista que os debates sobre identidade escocesa serão retomados gradativamente e surgirão no início do século XXI com as propostas que levarão a culminância do referendo marcado para 2014, por exemplo.

Isto ocorre porque o modelo pluralista limitado que existe entre os partidos escoceses promove a base necessária para o que Habermas chama de uma democracia deliberativa que atuando por meio da sociedade civil promove o gradativo debate de certas pautas transmitidas comunicativamente.

É por concordarmos com Habermas sobre a atuação mutável da esfera pública que acreditamos na possibilidade transformativa que o seu exercício atua junto da formação política escocesa, bem como no uso conveniente de inúmeros elementos culturais nacionais escoceses no debate liderado pelo SNP e que levou a proposta do referendo.

No caso escocês, a proposta que segue ao referendo é um Estado próprio que possa tomar suas próprias decisões, o que consolidaria esse modelo deliberativo crescente. Mesmo partidos diferentes do nacionalista apóiam a causa positiva do referendo que nunca esteve tão pareia em toda a existência da Escócia.

É interessante ressaltar também que mesmo os que estão a favor do referendo não concordam também com as propostas do SNP, mas que buscam uma maior autonomia dentro de sua estrutura política vigente. Em outras palavras, as demandas políticas escocesas favoráveis ao sim encontram certo grau de tensão sobre Westminster. Estão fartos de sua – ausência de – representatividade sobre seus assuntos.

O mais interessante nesse ponto é como as diferentes nuances culturais escocesas que durante décadas e décadas foram utilizadas contra o próprio projeto autônomo da Escócia foram gradativamente com o crescimento das demandas trabalhistas e nacionalistas se tornando o recheio necessário para a força do projeto de uma Escócia independente no século XXI.

O uso da cultura como recurso à política aqui é claro. Não se pode negar como a sociedade civil influencia epistemologicamente a atuação da esfera pública por meio do uso conveniente da cultura.

O uso conveniente da cultura aqui é atuante em diferentes suportes objetivos, sociais e subjetivos ligados a um entendimento das demandas identitária escocesas por meio de uma agir comunicativo cada vez mais estruturante de uma esfera pública de Kilt e alternativa.

Não é por menos que grande parte dos grupos alternativos pensa um projeto reflexivo do eu escocês que possa agregar as diferentes demandas das terras altas e baixas da Escócia, bem como suas diferentes culturas, sobretudo as que historicamente receberam um valor céltico e que por séculos foram tratadas com pouco ou nenhum interesse pelas deliberações de Westminster.

Os grupos mais otimistas com relação ao novo projeto são obviamente os nacionalistas escoceses do SNP, mas também grupos minoritários entre as próprias falas regionais escocesas, onde se enquadram grupos das terras altas e das ilhas ao norte.

Bem verdade que todos esses grupos viventes destas regiões são costumeiramente negligenciados pela fala escocesa oficial, bastando para isso se encontrar da linha imaginária que segue da cidade de Inverness rumo ao extremo norte do País.Neste sentido é interessante nos perguntarmos se poderia uma possível independência, livre do jugo inglês e demais influências britânicas, unir as diferentes percepções e pertenças do eu escocês em um projeto político mais efetivo para com as diferentes falas da sociedade civil escocesa.

A propaganda a favor do referendo tem esse apelo, obviamente. As que são contrárias partem de um conservadorismo per ser, um fala ligada mais a um discurso alarmista que propriamente racional politicamente. Não é por menos que muitos comentaristas da grande impressa britânica fazem essa análise simplista para explicar o relativo sucesso da campanha a favor da independência em número de adeptos segundo as pesquisas publicadas no primeiro semestre de 2014.

No entanto, o melhor entendimento deste crescimento se encontra não na propaganda atual especificamente, mas em um processo ligado ao crescimento da atuação do pluralismo partidário escocês nas últimas décadas e a consolidação do projeto trabalhista e nacionalista, respectivamente.

O uso conveniente da cultura exercitado por estes grupos políticos nas últimas décadas atuaram dentro do campo epistemológico da performatividade nos termos tal qual George Yúdice o compreende dentro do processo pelo qual identidades e entidades de realidade social são constituídas por aproximação de modelos.

O projeto político nacionalista escocês ganhou força nas últimas quatro décadas enquanto o projeto conservador perdeu o espaço que possuía no mesmo período. O resultado disso nos termos da performatividade é notório.

A valorização de elementos escoceses não alinhados com a britanicidade se tornou uma bandeira e cresceram ao ponto de extrapolarem o sistema político circunscrito à esfera pública e virarem por meio da performatividade diferenciais dos papéis e interesses variáveis da sociedade civil.

Vale lembrar que essa performatividade atua diretamente em propostas políticas claras dos partidos escoceses que conseguem manter um debate representativo plural sem tanta dicotomia quanto o apresentado na região da Irlanda do Norte, por exemplo. Bem verdade, que mesmo em cidades populosas como Glasgow, a rivalidade de projetos representativos seja de cunho religioso (como católico versus protestante) ou de pertencimento étnico passou a defender uma maior autonomia frente à Inglaterra depois de 1999, corroborando com o crescimento não apenas do partido nacionalista como também com o surgimento de outros partidos menores e de fala alternativa, como os verdes.

Nestas cidades escocesas do século XXI o crescimento da representatividade dos trabalhistas entranhada junto a grupos tradicionalmente católicos e proletários ou a dos nacionalistas construída junto de grupos protestantes de classe média não interfere na estrutura partidária plural e nem provoca conflitos diretos, muito pelo contrário. O que vemos é nitidamente a vontade de uma maior interação por estes grupos de propostas políticas diferentes, mas que se identificam coletivamente em meio a fronteiras étnicas não britânicas e mais incisivamente não inglesas.

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[1]Nome dado popularmente a Bandeira do Reino Unido onde se encontram juntas as bandeiras da Inglaterra, Escócia e Irlanda do Norte.

Pelos próximos dias até o dia 18 de Setembro, eu publicarei aqui no Blog algumas reflexões pessoais e integradas que este embate sobre a possível independência da Escócia representa em seu contexto político e cultural. São textos curtos que no final possuem uma conclusão sobre os diferentes discursos que este debate esconde entre as diferentes falas sobre econômica, recursos, estrutura partidária e aspectos culturais diversos muita vezes deixados de lado entre campanhas massivas do “YES” versus o “Better together” .

Por uma autonomia à escocesa: Entre a valentia celta e as Highlands brumosas.

“(…)High in the Misty highlands,
out by the purple islands
brave are the hearts that beat beneath Scottish skies
wild are the winds to meet you
staunch are the friends that greet you(…)”

– Scotland the Brave.

Em Outubro de 2012 em St. Andrews House, moradia oficial do ministro escocês, O premiê britânico David Cameron e o chefe do governo regional escocês, Alex Salmond,assinaram um acordo que previa a elaboração de um grande referendo popular na Escócia para o ano de 2014.

Este referendo marcado para Setembro tem como proposta algo que num primeiro momento é bem simples: A Escócia deve ou não se tornar independente do Reino Unido e, consequentemente, da Inglaterra? A resposta, no entanto, não é assim tão fácil de obter.

A complexidade de tal referendo não se encontra na ideia em si, mas no que ela implica em diferentes níveis participativos e representativos da sociedade civil escocesa. Por trás de um referendo de tal porte, a atenção dos jornais ingleses e, por que não dizer, internacionais se manteve no debate econômico enquanto internamente se buscava algum outro entendimento.

De um lado se debatia o impacto financeiro de uma profunda troca do sistema monetário escocês, bem como implicações   sobre usos de reservas de petróleo e do manejo de armas nucleares inglesas presentes em solo escocês. De outro lado, no entanto, outro debate bem mais profundo se apresentava. Uma batalha pela identidade escocesa, um retorno a distorcida memória dos campos de Culloden.

Afinal, os modelos políticos célticos aqui inseridos em uma dinâmica circular de poder político racional dentro da sociedade escocesa esbarram e tropeçam em seu próprio nacionalismo e, pelo menos por trezentos anos, fazem de qualquer ação afirmativa da soberania da Escócia uma disputa por uma memória conflitante das suas próprias conquistas históricas, assombrando não apenas seus inúmeros castelos, mas também toda uma nação.

Basicamente, a construção de uma memória política jacobita[1]mitificada desde a derrota na Batalha de Culloden[2]no século XVIII e a memória céltica escocesa, formada por suas bases etnonostálgicas deram a tônica das complicações que a disputa por uma independência pode trazer. Desta forma, o grande entrave a plena soberania do povo escocês em muito se deve a indefinição destes elementos na construção do que é ser escocês e isso se reflete nas diferentes tradições inventadas por toda a Escócia nos últimos duzentos anos.

Afinal, se existe uma nação conhecida por suas tradições inventadas mundialmente, essa nação é a Escócia. Das gaitas de fole aos kilts, muito se entende do quão tradicional esse país pode ser. No entanto, o que raramente se percebe é que não existe de fato uma cultura homogênea por toda a Escócia e mesmo geograficamente esses diferentes modelos de vida podem ser sentidos em uma rápida comparação entre o modo de vida das famosas Highlands (terras altas, ao norte e no interior) com as das Lowlands(terras planas, ao sul e mais centrais), por exemplo.

yes-no2As implicações políticas destas disputas são diversas. Entre estas variações encabeçadas por essas diferentes visões de uma identidade escocesa, nós encontramos o aumento contínuo da complexidade da própria lógica do sistema político escocês inserido em uma esfera pública minimamente organizada, mas que nunca soube lidar com as diferentes vertentes do projeto reflexivo do eu nacional, seja ele jacobita ou céltico.

Para se chegar nessas implicações políticas necessárias para o entendimento do referendo marcado para 2014, antes se devem entender quais memórias escocesas encontram-se em disputa nos últimos quase trezentos anos e que problemas essas diferentes memórias coletivas em disputa serviram para o engessamento de um projeto maior de autonomia e soberania escocesa até a segunda década do século XXI.

A Batalha pela Escócia: Entre o céltico e o Jacobita

O Sentimento de pertença escocês sempre esteve em disputa interna e externa. Externamente pelas diferenças e experiências que consolidaram o fator inglês e britânico enquanto o “outro” em sua formação. Internamente por um complexo e problemático ato memorativo que divide a Escócia não apenas geograficamente, mas politicamente.

A Escócia possui elementos ambíguos em dois níveis. Na sua formação nacional limitada nós temos a identidade britânica sempre vista como uma ameaça apesar de integrada por meio de sanções políticas da estrutura do Reino Unido ao agir normativo sobre toda e qualquer ação política escocesa.

Os elementos britânicos são reconhecidamente o outro e dominam a Escócia que se constrói tradicionalmente resistente por seus elementos folclóricos dos mais variados.

Aparentemente não se entende de onde vem tamanha dominação inglesa sobre o ímpeto resistente escocês, mas é justamente por meio deste ímpeto e representatividade que a identidade britânica encabeçada pela Inglaterra age dramaturgicamente e normativamente sobre a Escócia.

A pergunta que qualquer um se faz nesse contexto é: o que faz da Escócia alvo fácil da dominação britânica se ela é tão resistente e distinta em sua construção nacional? A resposta reside na própria construção nacional, para sermos sinceros.

Afinal, internamente a ambivalência escocesa é notória. Tanto culturalmente quanto geograficamente o país é dividido em dois. De um lado nós temos as terras altas (Highlands) e do outro as terras baixas (Lowlands) que historicamente se percebem distintamente e refletem isso na valorização de seu passado e nos embates representativos de políticas públicas.

Nas LowLands uma memória conflitante é trabalhada. Primeiro porque é nessa região onde encontramos a maior concentração populacional e de renda em todo o país. Em segundo ponto porque é na lowland que se misturam sentimentos de pertença ancestrais, fatos históricos consolidados pela narrativa oficial e, sobretudo, uma ligação direta com os ingleses com relação a subserviência e certa parcela de herança germânica.

Essa suposta germanicidade das lowlands, a construção religiosa protestante e por vez loyalista de alguns de seus setores detentores dos meios de produção taxou qualquer outra referência a herança cultural das Highlands nada mais que um “sonho de um país pequeno”, mesmo por narradores que aparentemente defendiam certa autonomia da Escócia, como o jornalista Andrew Marr, por exemplo.

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Aplicava-se aqui uma vontade de isolar parte deste legado único que possuía as Highlands, uma herança céltica em grande parte. Essa postura das lowlands ganha contornos de guerra religiosa ao remeter-se de maneira contrária a memória jacobita escocesa e, sobretudo, a um catolicismo que buscava quebrar a unicidade do sentimento britânico por meio de uma independência escocesa.

A construção germânica da Escócia em muito é fruto de um alinhamento das terras baixas com a visão germânica e teutônica da identidade inglesa junto da “predisposição dos povos germânicos para liberdade (em oposição a um catolicismo tirânico)”, como nos lembra Murray Pittock.

Essa tendência a uma pressuposta germanicidade das lowlands, pautado sobre um ‘teutonismo’ inglês, unia-se com os sentimentos nacionais escoceses e ingleses em uma germanicidade ambivalente.

Esta ambivalência entre Escócia germânica e Escócia céltica (marginal) foi construída pela mescla de elementos nobres ligados a uma germanicidade gótica e britânica dos escoceses que pelo ideal de liberdade deveria controlar o ímpeto céltico existente na sua formação.

Claro que estes elementos são construções do século XIX e início do século XX. Seu ponto de articulação inclui inúmeras teorias racistas ligadas a elementos não germânicos desta formação nacional escocesa e era corroborada por elementos culturais dos mais diversos como os textos de Sir Walter Scott, por exemplo.

Nestes textos e inúmeros outros em um conjunto que vai de publicações, romances, e periódicos a estudos científicos tendenciosos nós encontramos nitidamente a ideia de um celticismo caracterizado pelo lado emocional dos escoceses e o teutonismo como a correção intelectual do mesmo.

Neste sentido, ao menos historicamente a vivência escocesa é integrada a um sentimento de inglesidade, ao atrelar sua independência a uma ligação com a Inglaterra e certo distanciamento das ligações com a cultura celta das Highlands e os levantes Jacobitas visto como intrusos nas terras baixas germânicas da Escócia. Ignora-se historicamente que as terras baixas também tenham se levantado contra a Inglaterra, inclusive.

Inicialmente essa cultura jacobita escocesa é tida como desagregadora e iconoclasta. A cultura céltica das Highlands mais ainda. Até mesmo porque são as Highlands as terras tidas como atrasadas, selvagens, desregradas e com um violento potencial passional de seus habitantes, visto que estes são descendentes dos celtas e são detentores de uma tradição gaélica escocesa.

O Grande trunfo cultural britânico, neste sentido, foi o uso das tradições inventadas da Escócia como uma pitoresca faceta do domínio britânico e integrar isso a sua estrutura de poder político sobre o país.

Nessa visão, a Escócia foi então dividida geograficamente entre celta e teutônica, entre responsabilidade e selvageria romântica, onde esta ultima era associada ao celticismo emocional e deveria ser suprimido em nome da unidade britânica.

E é justamente a dominação dos elementos culturais célticos escoceses que permitiu ao Reino Unido administrar essa Escócia dividida sem que nunca esta conseguisse se unir mais incisivamente sobre seus próprios afazeres. Todas as tradições resistentes e, sobretudo as ligadas as Highlands, são subvertidas e usadas pelo ideal dominador britânico sobre a ilha. O tradicional Kilt escocês é uma prova disso. Afinal, não é por menos que até o hoje o uso do tartan é entendido dentro do exército britânico como um símbolo de heroísmo céltico, típico de grupos que servem a atividades arriscadas sem pensar muito nas consequências.

As tradições célticas das terras altas inventadas no século XVIII em esforço de se diferenciar culturalmente da já consolidada tradição céltica irlandesa da qual possuía uma relação muito estreita, foi pouco a pouco sendo transformada em elemento diferenciado da identidade escocesa e rapidamente controlado pelo domínio britânico para que este não se tornasse deveras independente.

Elementos escoceses como o tartan, a gaita de fole ou a farsa épica escrita por James Macpherson[3] por um breve momento deram ao escocês a distinção etnonostaligca que buscaram frente a seus vizinhos ingleses e irlandeses. No entanto, estes mesmos elementos que o distinguiam foram usados para sua domesticação pelo domínio britânico e relegaram ao estigma de atraso tudo aquilo que era céltico ou jacobita, tudo aquilo que era incisivamente escocês e não inglês.

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[1]Grupo que apoiava a restauração do trono católico na Escócia. Seu nome vem de Jaime VII da Escócia e foram historicamente derrotados em 1715 e 1746. Mesmo após a derrota o movimento jacobita é idealizado de maneira romântica, sobretudo, pelas tradições dos clãs das Highlands escocesas.

[2]Conhecido por ser a última batalha terrestre a acontecer no solo do Reino Unido, a Batalha de Culloden ocorreu em Abril de 1746 e marca a derrota das forças jacobitas católicas e apoiadas pelas terras altas (Highlands) da Escócia. A derrota escocesa marca o domínio total inglês sobre o território escocês sob a bandeira do Reino Unido.

[3]James Macpherson (1736-96) foi o “tradutor” dos chamados “poemas ossianicos” entre os anos 1760 e 1763, onde teria se baseado na antiga tradição oral celta da Escócia para narrar de maneira épica um herói mítico chamado Ossian, equivalente ao herói celta irlandês Oisin. No entanto, apesar da farsa da produção textual, seus poemas tiveram grande impacto na aceitação e divulgação das tradições célticas escocesas no mundo, sendo chamado de ‘Homero céltico’ à época. Sabe-se, por exemplo, que figuras como Napoleão, William Blake, Thomas Jefferson, Henry David Thoreau e Goethe (que inclusive o traduziu para o alemão) eram admiradores da obra de Macpherson.