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Aquilo que nós mesmos escolhemos é muito pouco: a vida e as circunstâncias fazem quase tudo”

- J.R.R. Tolkien

 

O ano era 1999. Era dezembro e eu tinha acabado de completar 13 anos. Naquela época mágica eu descobri as coisas que seriam basilares para a minha definição identitária atual.

Afinal, desde os 12 anos eu já consumia avidamente literatura, mitologia e arte celta. Óbvio que com olhares de garoto curioso e nunca esperando que dez anos depois eu faria da celtologia minha profissão. Foi neste contexto de descobertas, entretanto, que eu descobri a beleza literária de Tolkien.

Foi em um jogo de RPG em 99 – Hobby comum para um garoto naquela época – que eu vi as primeiras referências a hobbits, Condado, Gondor e Sauron. E aquilo era fascinante. Não tive dúvidas e comprei na livraria os livros de O Senhor dos anéis. As capas eram atrativas, uma azul, outra vermelha e a última verde. Li aqueles livros avidamente e quando estava lá pelo segundo livro descobri que aquela história fantástica se tornaria um filme.

Como todo adolescente empolgado, eu embarquei e cresci com aqueles filmes que ilustravam tão apaixonadamente minhas leituras que naquele momento eram de vital relevância na minha formação. Creio que busquei nas palavras de Gandalf a figura do estudioso que se importa mais em aquecer o coração dos homens que simplesmente juntar poder e ostentá-lo (como Saruman), no comportamento de Sam, o cuidado fraternal por aqueles amigos que fazia na adolescência e no caminho de Frodo até Mordor, o caminho que todo garoto faz na adolescência até tornar-se um homem, com as benesses, provações e fardos que o mundo moderno pode nos dar.

Eu agradeço a Tolkien por sua mitologia. Agradeço a Peter Jackson pelos filmes e tudo o mais. Afinal, eles foram parte importante da minha adolescência e criaram parte da poética e filosofia de vida pessoal que mantenho até hoje em meus estudos, no trabalho e na vida pessoal.

E é com esse sentimento que fiquei muito feliz ao saber  do Ator Ian McKellen (que interpreta Gandalf na trilogia do cinema) que em Fevereiro a Terra Média volta a ganhar vida comas gravações de “O Hobbit”( http://www.mckellen.com/cinema/hobbit-movie/index.htm).

E que outros garotos possam se encantar com Tolkien e sua riqueza literária.

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Um Mico Hobbit
Eu, adolescente, pagando um dos inúmeros micos nerds da minha vida na empolgação de “O Senhor dos Anéis”.

“Do not pity the dead, Harry, pity the living.Above all, pity those who live without love. By returning you may ensure that fewer souls are maimed and fewer families are torn apart. If that seems to you a worthy goal, then we say goodbye for the present.”

- Harry Potter and the Deathly Hallows.

 

 

Na última quinta feira dia 18 de Novembro, em um cinema carioca lotado de fãs vestidos com trajes bruxos e empunhando varinhas eu assisti ao primeiro filme da última parte da saga Harry Potter.  Harry Potter e as Relíquias da Morte – parte 1 é, ao menos sob minha ótica, um filme que trata não apenas das desventuras do conhecido bruxo da literatura fantástica contra idéias totalitárias e quase nazistas representadas no vilão Voldemort ou que fala de amizade e companheirismo em tempos difíceis. Para alguém que leu os primeiros livros tem praticamente dez anos e que se lembra das primeiras, e infantis, histórias com a nostalgia de quem se lembra do fim da própria infância, Harry Potter e as Relíquias da Morte trata do fim da adolescência e o início da vida adulta, com todos os problemas, angústias e sentimentos de dúvida, desamparo e se o trocadilho mágico mo permitir,  desencanto.

Lembro-me bem da sensação de ao terminar de ler Harry Potter e a Pedra filosofal quando ainda cursava a sétima série da educação básica. No mesmo semestre ainda cheguei a ler os outros dois livros seguintes de maneira ávida. A lógica de aumentar gradativamente a seriedade da narrativa (bem como o número de páginas) é esplêndido se pensarmos como isso treina e condiciona os leitores mais jovens a não temer a literatura. Na época eu já era um nerd viciado nos livros de Tolkien o que tornou a leitura de Harry Potter bem mais célere. Entrar nesses mundos fantásticos é algo que todo garoto deveria experimentar. Faz com que qualquer um tenha esperança por dias melhores.

No entanto, ninguém pode viver pra sempre em um mundo mágico. Nem mesmo Harry Potter. E assim a narrativa vai se tornando mais pesada, sombria e repleta de mortes  e outras temáticas taciturnas. Em outras palavras, ela amadurece. Do deslumbramento ao desencanto em 10 anos de livros e filmes. Esse é o tempo de Potter. Esse é o caminho do início ao fim da adolescência.

Afinal, como diria o diálogo inicial do filme “Vivemos em tempos sombrios”. E que tempos sombrios são esses? Nada mais duro que a vida cotidiana. Todo coração se agita quando a adolescência acaba.  Harry Potter enfrenta a maturidade de suas histórias, seja nos livros ou na vida daqueles que os leram pela primeira vez dez anos atrás quando ainda eram crianças. Muitos cresceram com Harry Potter e enfrentaram o desencanto que a vida cotidiana pode trazer. A incerteza que o início da vida adulta mostra e as dificuldades de se inserir como geração ativa. A magia acabou. O mundo com seus interesses mesquinhos, desconfianças está logo a frente. Cabe a você crescer e decidir que atitude tomar. Só assim você poderá mudá-lo, a mágica não é mais suficiente.

O filme deixa isso bem claro em sua fotografia, e na morte de personagens conhecidos como a coruja Edwiges e o elfo doméstico Dobby. Nada mais emblemático para representar a morte do lado infantil de Potter. O filme é um Road Movie sombrio que é – da mesma forma que o livro – totalmente diferente dos outros filmes de Harry Potter. Quem for esperando mais um filme água com açúcar de crianças tomará um susto. Jã os fãs que acompanharam os livros e cresceram junto com Harry nestes últimos dez anos verão o fim de uma parte importante de suas vidas ali.

Finite Incantatem.

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“Não vem com isso não
Tô chegando é de ladrão
Porque quando eu pego
Eu levo pela mão
Não mando recado
Eu vou na contramão…

(…)

Tropa de Elite
Osso duro de roer
Pega um pega geral
Também vai pegar você…”

Tihuana – Tropa de Elite.

 

Capitão Nascimento está de volta. Eleito por milhões de brasileiros em 2007 como o protótipo do herói nacional, Ele e Tropa de Elite 2 chegam ao cinema com um estrondoso sucesso de bilheteria em sua estréia, fruto da apreensão nutrida por todos aqueles que acompanham filmes nacionais ou simplesmente esperavam ver Nascimento, o Rambo brasileiro, trocar uns sopapos com uns marginais e mandar seus calouros do Bope “pedirem pra sair”.

http://img.photobucket.com/albums/v291/VanPato/Inutilidades/01tropa24082010.jpgA verdade é que tropa de Elite 2 é um filme mais maduro que o primeiro, consagrado pelo seu discurso unilateral e claramente agressivo que enaltecia a truculência do Bope e suas práticas desumanas. A polêmica do debate do primeiro filme era justamente a legitimidade que a defesa de ações militarizadas e da máquina de guerra urbana trazia não apenas para a política de segurança no Estado do Rio de Janeiro, mas também para as classes médias que a defendiam.

E este é o ponto que o Tropa 2 tenta modificar. E devo dizer que é um trabalho hercúleo. Afinal, Capitão Nascimento é um ‘herói nacional’ consagrado e sua figura carismática leva o discurso  de contorno fascista das operações do Bope a uma legitimidade incrível junto da classe média que obviamente nunca entrou em uma favela na vida e nunca viram um caveirão fora das telas de cinema.

Zé Padilha introduz novas realidades ao filme  que o torna bem mais interessante para debatermos não apenas as políticas de segurança pública, mas as diversas vozes presentes no embate agonistico de forças que muitas vezes contrárias buscam uma finalidade muito próxima o que mostra  que até mesmo o Capitão Nascimento pode estar errado em seu discurso, mesmo sendo o narrador da história. Claro que o filme cai em simplismos de culpar o sistema e é nesse ponto que o personagem de Wagner Moura cresce e expõe toda a pseudo-razão que o discurso da truculência pode nos dar em seu já conhecido axioma desumano legitimado no primeiro filme.

É interessante notarmos que o filme é amarrado de tal forma a colocar  que mesmo o discurso de uma esquerda humanista apoiada no ativista e deputado Fraga (reconhecidamente inspirado no Deputado Marcelo Freixo do PSOL) por mais coerente que seja em seu embate contra as milícias é frente a fala de Nascimento  visto como falho por uma espécie de falta de seriedade crônica de seus defensores. Mas lembremos sempre que o filme ainda é narrado pela ótica do capitão Nascimento e sob esta visão,  Nascimento mesmo errado está certo e por estar tão certo cabe a ele jogar na cara da sociedade brasileira que o problema das milícias é culpa de todos nós.

Só que calma aí! Não é um ‘todos nós’ buscando um fato social que responda pelos problemas de violência no Rio de Janeiro ou ainda a busca de um modelo de “tipo ideal’ weberiano para culpabilizar o comportamento miliciano e dos que permitem sua atuação. Não é nada disso, não se enganem. O que o filme propõe em suas cenas finais é o famoso “tirar o corpo fora” da situação quando ela explode, buscando assim uma resposta utópica, tão útil como a de adolescentes que pixam um “Anarquia” em seus tênis para mudar o mundo. É quase que uma volta ao primeiro filme que culpava a classe média de financiar as drogas e de criar a truculência do Bope como cura. Agora ele culpa pela eleição de políticos corruptos que corrompem o sistema a ponto de mesmo a cura tornar-se algo sujo a ponto de virar palco de aproveitadores, incompetentes e de uma esquerda humanista fraca e passional.

No final das contas, Tropa de elite 2 tenta a todo custo continuar não o enredo do primeiro filme diretamente, mas o debate que o primeiro filme suscitou em nossa sociedade. Tem como ponto positivo obviamente a tentativa de mostrar outros discursos e perspectivas além da já conhecida no primeiro filme e como negativo a imobilidade de se levar esse debate a frente tendo a figura convicta de um Nascimento que mesmo sem evocar um bordão sequer mostra que a truculência é necessária para que qualquer política humanista possa ganhar terreno futuramente. Uma contradição que não agrada nem um lado e nem outro e que torna o filme com posicionamento tão ambíguo em certos momentos que até acreditamos que  o personagem de Wagner Moura se posiciona junto a um idealismo coerente. Mas não se enganem, Capitão Nascimento e seu axioma desumano ainda estão lá!

http://img.photobucket.com/albums/v291/VanPato/Inutilidades/5F4118E66523EF1A6E8FDF6A16C76A.jpg

 

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Para o antropólogo Marcel Detienne, parceiro de Jean Pierre Vernant no centro de estudos Louis Gernet, os antigos gregos são ótimos enquanto fonte de estudo para compreendermos aspectos do nosso pensamento atual.  A inovação proposta por Vernant alinhado a escola dos annales é interessante não apenas para se compreender melhor os antigos gregos e sua forma de pensar, mas para entendermos um pouco melhor nossas questões atuais sendo nós mesmos historiadores de nosso tempo.

Jean Pierre Vernant, enquanto renomado helenista que era, inovou a forma de se estudar não apenas os antigos gregos, mas a história como um todo ao aplicar abordagens interdisciplinares e diferenciadas ao estudo da Grécia antiga. O centro de estudos Louis Gernet produziu novas formas de se trabalhar temas clássicos ao envolver antropólogos, historiadores e especialistas de diversas áreas. Sobretudo,  alterou a maneira como pensávamos o discurso e o modus vivendi grego.

Pensar o mundo grego. Nesta frase encontra-se , em nossa opinião, o ponto chave de onde desdobram-se as principais contribuições de Jean Pierre Vernant.  Ao inserir aspectos piscológicos a formação do pensar grego, Vernant expande o leque de possibilidades analíticas a uma galáxia nunca antes sonhada. A Mentalidade é acima de tudo o ponto de articulação entre as temáticas próprias do mundo grego e a conceitualização estruturada de uma história problema.

Em As Origens do Pensamento Grego, encontramos um Vernant ainda esboçando as principais vertentes daquilo que o tornaria brilhante e notório na historiografia. Sua abordagem da Grécia arcaica e clássica segue momentos distintos. Em um primeiro momento sua preocupação é situar cronologicamente o mundo grego, buscando por meio das condições sociais entender a linearidade do pensamento que com o tempo vai se complexificando até chegar no desenvolvimento filosófico poliade clássico.

A formação do pensamento racional entre os gregos é a tônica deste livro e Vernant o faz com maestria. O Capítulo IV em especial, intitulado o universo espiritual da Polis é muito bem pontuado e em nossa opinião é o capítulo que melhor define a proposta de Vernant  ao  inserir-nos em um universo políade onde a articulação existente entre o logos grego e a racionalidade ligada a atividade política é notória.

O pensar grego neste período de formação da polis é sempre contextualizado e a referência da associação continua deste pensamento com as concepções de longa duração se fazem presentes, principalmente quando notamos as referências existentes entre a mentalidade abordada e a dinâmica social grega em perspectiva cronológica.

Se pensarmos o capítulo IV deste livro dentro dessa lógica, encontramos elementos necessários para uma possível articulação entre o público, o privado e  a dinâmica política do logos grego onde por esta época demandava uma prestação de contas que “já não se impõem pela força de um prestígio pessoal ou religioso” , mas que “devem mostrar sua retidão por processos de ordem dialética.

A palavra e o uso publico transformam profundamente as formas de pensar e de agir dentro do mundo grego. O universo espiritual da polis que Vernant evoca enquanto título deste capítulo são basicamente estes aspectos referentes ao prestígio da palavra, o desenvolvimento das práticas públicas e suas relações dentro da esfera pública entre aqueles que por meio da isonomia se reconhecerá enquanto igual e partilhando desta forma de pensar em comum.

Se pensarmos no quanto isso define e transforma as práticas humanas políticas, comerciais e religiosas dentro do mundo grego podemos compreender como certas racionalizações únicas da esfera grega puderam expandir-se de tal forma que puderam redefinir totalmente as práticas e discursos não apenas dentro do mundo antigo, mas se pensarmos antropologicamente com as nossas próprias formas de pensar enquanto individuo social, ou no caso dos gregos antigos poliade e Hómoioi.

A ação humana crescente e buscando sempre sanar suas necessidades formulou o pensamento racional grego. Vernant desde sempre pregou contra o chamado “milagre grego” e este trabalho nos coloca face a face com o que busca definir que esse mundo racional grego é antes de tudo feito por meio de uma construção lógica ligada intimamente com a evoluções das práticas humanas e da organização social.

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Este livro se mostra de indispensável leitura para qualquer um que procure no pensamento racional as respostas para a as práticas que nascidas na Grécia se tornaram basilares para o mundo contemporâneo, como  a própria formação da polis e a sua complexidade enquanto estrutural social. Jean Pierre Vernant não apenas inova nesta abordagem como também define a linha de trabalho que o tornaria não apenas um grande helenista, mas um historiador notável até os dias de hoje.

Meu agradecimento aos amigos e colegas.

Estas palavras foram proferidas na colação de grau da turma 2/2009 de História da Universidade Federal Fluminense ontem, no campus do Gragoatá.

Eu começo essas breves palavras com uma citação que diz: “Não sei se, com a exceção da sabedoria, os deuses imortais ofereceram ao homem alguma coisa melhor que a amizade.” Estas são as palavras de Marco Tullio Cicero, orador romano e que exprimem como poucos na História o sentimento que a amizade e o coleguismo presente na UFF podem nos oferecer.

Em muitos momentos estivemos juntos, em outros tantos separados e quase nunca concordamos. E é bem verdade que é melhor que seja de fato assim. Afinal, citando agora Salústio, “querer e não querer as mesmas coisas, disto é feita a verdadeira amizade.” O importante, meus amigos, é quase sempre aprender a respeitar o outro. O outro pode e deve pensar diferente, mas a amizade se constitui daquilo que nos complementa e a diferença é parte vital do respeito que nos faz tão forte.

Afinal, quem nunca teve um amigo que salvou a sua pele naquele trabalho em grupo em que você não sabia mais por onde procurar? Ou aquele outro para as horas não acadêmicas onde às vezes se aprendia até mesmo mais que nos debates específicos de alguma matéria? É por esta amizade, muitas delas para toda a vida e outras tantas por uma lembrança eterna que estamos aqui neste momento para agradecer.

E agradecemos por sentirmos que se estamos aqui hoje em grande parte devemos e muito a força encontrada em um ombro amigo, que nos ergueu, nos aconselhou e nos acompanhou bem de perto nas dificuldades semestrais uffianas. Agradecemos aos colegas que trilharam e marcharam lado a lado como os hoplitas gregos, guerreiros que lutam lado a lado sempre protegendo o flanco do companheiro rumo ao objetivo máximo hoje aqui concretizado com tanto louvor e ardor.

A todos os amigos e colegas o muito obrigado pela força, pelo companheirismo e pelo respeito. Em tempos difíceis onde ninguém mais respeita a opinião do outro, nós acima de tudo devemos lembrar que juntos em nossas diferenças somos bem mais fortes que separados em querelas vãs.  Se o mundo cada vez mais desprestigia quem pensa seus problemas, nós acima de tudo temos de nos lembrar de permanecermos unidos. Lembrai das bases sólidas, lembrai das boas amizades. Somente assim mostraremos ao mundo que nós historiadores fazemos muito mais que pensá-lo. Nós podemos mudá-lo.

A todos os amigos e colegas de profissão, o meu muito obrigado.

- Erick Carvalho de Mello.

Shosholozah
Shosholozah
Ku lezontabah
Stimela siphum’ eSouth Africa
Wen’ uyabalekah
Wen’ uyabalekah
Ku lezontabah
Stimela siphum’ eSouth Africa
- Shosholozah, canção sulafricana.

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Junho está firme e forte no calendário do ano de 2010. Com esta época do ano além dos tradicionais festejos juninos, a mente e o coração de todo brasileiro (para não dizer do mundo inteiro) se volta para a Copa do Mundo de Futebol.

E esta copa é diferente das outras. Afinal, esta é a primeira em solo Africano, http://img.photobucket.com/albums/v291/VanPato/Eventos%20e%20Festas/_MG_1246bbbx.jpgna famosa “Rainbow Nation” de Nelson Mandela, na terra dos antigos cânticos ancestrais que lutavam por liberdade racial e tribal e pelo fim da opressão do homem europeu. Vale lembrar que esta também é a terra de muitas curiosidades,  de línguas impronunciáveis e animais exóticos como os Springboks, os hipopótamos ( causa da maior parte das mortes no país depois da Aids) e a Zebra que verdade seja dita anda rondando as seleções favoritas desta copa desde a sua abertura.

Mas nem só dos exóticos animais silvestres vive esta copa. Vale lembrar que nossa seleção canarinho está bem entrosada com o solo Africano. Nosso capitão Lúcio, por exemplo, já se sente em casa ao perambular nos dias de folga da seleção pelos sítios arqueológicos do continente depois que descobriu que além do Homo Sapiens também é oriundo da região o incrível Lúcio Neanderthal, primeira descoberta futebolística e antropológica feita em uma copa do Mundo. Só resta saber se ele sabe lidar com ferramentas esféricas africanas como a tal da Jabulani.

E falando em Jabulani, ninguém entende do que diabos esta bola é feita. Existe a crença comum que uma vez na África esta bola é repleta de mandingas secretas das mais variadas vertentes. Eu particularmente acho que é tudo frescura futebolística dos jogadores. Com o salário deles eu aprenderia a jogar até com a bola maluca do Gugu se fosse o caso. No entanto, não sendo eu um dos convocados do Dunga (que como técnico ainda é um anão entre os gigantes da copa) me resta torcer para que a Jabulani não esteja repleta de macumba e que a Vuvuzela Africana não deixe os jogadores surdos no final da copa.

http://img.photobucket.com/albums/v291/VanPato/Eventos%20e%20Festas/_MG_1181cbxsg.jpgPorque cá entre nós, para que diabo serve uma Vuvuzela no intento de apoiar um time? Ela fica lá zumbindo, ninguém escuta nada, ninguém sabe se você está descontente ou animado e atrapalha e muito aquele seu tio meio surdo que depois de todo o jogo do Brasil resolve levar a TV para o conserto achando que aquele “chiado maldito” é culpa do pobre do equipamento televisivo.

A única coisa interessante do zumbido constante da Vuvuzela é que ela atende ao pedido global de calar a Boca do Galvão que verdade seja dita foi a grande novidade desta copa. Não importa se o Brasil será Hexa ou não, para o brasileiro o que importa nesse início de copa é que alguém Cale a Boca do Galvão. Até porque, nós temos de concordar que enganar o mundo inteiro no twitter e salvar os pássaros Galvão é o equivalente a uma goleada sobre qualquer outro país em uma final de copa do mundo.

Mas copa do mundo é isso. E por aqui ficamos em nossa expectativa patriótica quadrienal de conquistarmos mais um título mundial e vibrarmos a cada jogo. E vamos ver o que nos aguardará nos próximos jogos e copas da vida!

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http://img.photobucket.com/albums/v291/VanPato/Eventos%20e%20Festas/_MG_1120a.jpg

Para ver estas fotos do post e outras mais entrem no Blog da Luana!

“Para o mal em bandos nos encaminhamos facilmente:

O caminho é suave e ele mora perto;

Mas diante da virtude os deuses colocaram suor e trabalho.”

-Hesíodo, Os Trabalhos e os Dias.

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Acordei dias atrás com um pensamento simples na cabeça. O que cada um de nós faria se não existisse o olhar infernal do outro condicionando nossas ações cotidianas? O que faríamos se nenhuma regra de conduta, lei ou costume humano nos limitasse? O que não faríamos? Será que nos manteríamos firmes em nossos atos morais sem a presença dos outros a nos vigiar e punir a cada instante?  Afinal, vejo tanta hipocrisia nos atos e nas falas de pessoas ditas “de bem” …

Se tivéssemos, por exemplo, um anel que nos fizesse desaparecer? O que faríamos? Calma, não estou falando de o Senhor dos Anéis e nem do Anel dos Nibelungos de Wagner, apesar destas histórias se basearem na que vou citar agora. Estou falando de algo bem mais antigo. Na história inserida em A República de Platão que conta sobre O Anel de Giges, o Lídio. Até então um bom pastor a serviço do Rei e que nunca cometera nada que o definisse como justo ou injusto. No entanto, bastou encontrar um anel que o tornava invisível para sucumbir à tentação de praticar atos abomináveis que nunca faria às vistas dos demais membros da sociedade.  Será que existe mesmo um senso de Justiça que permeia cada indivíduo? Ou será que o que define o justo ou injusto é justamente sua capacidade de parecer moral na frente dos outros mesmo que não seja sua postura verdadeira? O poder de não se limitar por isso colocaria tudo a perder então?

Se pensarmos por esse lado, eu acredito plenamente que o importante não é buscar aparentarmos um senso moral exacerbado ou nos mostrar justos, mesmo que pensemos em atos injustos para se acobertar. É mais relevante  para a vida que tentemos buscar a bondade acima da justiça. Ao menos é o que O individualismo simbólico do anel de Giges nos mostra. É uma lição que está lá na República de Platão ou nas outras representações simbólicas de invisibilidade física e moral ao longo da História.

O que é bondade, no entanto, depende não apenas do que é visível aos olhos dos outros membros da sociedade, mas aquilo que dentro de nós indivíduos pode parecer benéfico ao mesmo tempo para o que fazem de nós e para o que achamos que somos. Apesar disso, para chegar até esse ponto de plenitude precisamos entender como buscar a Sophrosyne (Σωφροσύνη),  a justa medida de atos e pensamentos expressos na articulação do interesse social comum e  a busca por conhecer a nós mesmos.

Por mais tentador que seja escapar de todas as travas sociais, o mais  coerente é buscarmos a transparência. É menos intensa que a plena visibilidade e menos mesquinha que a invisibilidade do anel de Giges.

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