“Do not pity the dead, Harry, pity the living.Above all, pity those who live without love. By returning you may ensure that fewer souls are maimed and fewer families are torn apart. If that seems to you a worthy goal, then we say goodbye for the present.”
- Harry Potter and the Deathly Hallows.
Na última quinta feira dia 18 de Novembro, em um cinema carioca lotado de fãs vestidos com trajes bruxos e empunhando varinhas eu assisti ao primeiro filme da última parte da saga Harry Potter. Harry Potter e as Relíquias da Morte – parte 1 é, ao menos sob minha ótica, um filme que trata não apenas das desventuras do conhecido bruxo da literatura fantástica contra idéias totalitárias e quase nazistas representadas no vilão Voldemort ou que fala de amizade e companheirismo em tempos difíceis. Para alguém que leu os primeiros livros tem praticamente dez anos e que se lembra das primeiras, e infantis, histórias com a nostalgia de quem se lembra do fim da própria infância, Harry Potter e as Relíquias da Morte trata do fim da adolescência e o início da vida adulta, com todos os problemas, angústias e sentimentos de dúvida, desamparo e se o trocadilho mágico mo permitir, desencanto.
Lembro-me bem da sensação de ao terminar de ler Harry Potter e a Pedra filosofal quando ainda cursava a sétima série da educação básica. No mesmo semestre ainda cheguei a ler os outros dois livros seguintes de maneira ávida. A lógica de aumentar gradativamente a seriedade da narrativa (bem como o número de páginas) é esplêndido se pensarmos como isso treina e condiciona os leitores mais jovens a não temer a literatura. Na época eu já era um nerd viciado nos livros de Tolkien o que tornou a leitura de Harry Potter bem mais célere. Entrar nesses mundos fantásticos é algo que todo garoto deveria experimentar. Faz com que qualquer um tenha esperança por dias melhores.
No entanto, ninguém pode viver pra sempre em um mundo mágico. Nem mesmo Harry Potter. E assim a narrativa vai se tornando mais pesada, sombria e repleta de mortes e outras temáticas taciturnas. Em outras palavras, ela amadurece. Do deslumbramento ao desencanto em 10 anos de livros e filmes. Esse é o tempo de Potter. Esse é o caminho do início ao fim da adolescência.
Afinal, como diria o diálogo inicial do filme “Vivemos em tempos sombrios”. E que tempos sombrios são esses? Nada mais duro que a vida cotidiana. Todo coração se agita quando a adolescência acaba. Harry Potter enfrenta a maturidade de suas histórias, seja nos livros ou na vida daqueles que os leram pela primeira vez dez anos atrás quando ainda eram crianças. Muitos cresceram com Harry Potter e enfrentaram o desencanto que a vida cotidiana pode trazer. A incerteza que o início da vida adulta mostra e as dificuldades de se inserir como geração ativa. A magia acabou. O mundo com seus interesses mesquinhos, desconfianças está logo a frente. Cabe a você crescer e decidir que atitude tomar. Só assim você poderá mudá-lo, a mágica não é mais suficiente.
O filme deixa isso bem claro em sua fotografia, e na morte de personagens conhecidos como a coruja Edwiges e o elfo doméstico Dobby. Nada mais emblemático para representar a morte do lado infantil de Potter. O filme é um Road Movie sombrio que é – da mesma forma que o livro – totalmente diferente dos outros filmes de Harry Potter. Quem for esperando mais um filme água com açúcar de crianças tomará um susto. Jã os fãs que acompanharam os livros e cresceram junto com Harry nestes últimos dez anos verão o fim de uma parte importante de suas vidas ali.
Finite Incantatem.
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falou tudo cara, por mais que eu nunca gostei do potter, afinal eu odiava ler , as enfim, até pelo proprio ator ficar mais velho o que deixa o fato do tempo realmente passar, mesmo para o mais louco fã, isso é meio triste e mórbido.
Afinal, ninguém quer um Harry velho, com uma cueca encardida e usando a varinah para coçar as costas…
Realmente, a era magica da juventude se vai, e entra a era das responsabilidades… Ja dizia Tio Ben Parker: Grandes poderes, Grandes Responsabilidades.
é triste pensar que com os Filmes muitas crianças não vão cultivar a imaginação dos Livros, e que muitos nem sequer vão tentar ler, pois podem assistir… e o fato de poder ver todos os filmes em um fim de semana, torna um gesto mais simplório… não como antigamente que usariamos semanas Lendo, e imaginando, e aguardando o momento de terminar o livro para ler outro… Realmente a Magia está indo embora, e um tempo tenebroso esta chegando…
Mais do que perfeita sua análise, meu bom amigo.
Eu, passei a adolescência aguardando cada livro da J.K.Rowling, anciosa pelos passos e descobertas traduzidos pela ótica de Potter e seus fiés amigos, Weasly e Granger…
Eu era uma afccionada por leitura, nerd por natureza… E confesso, amadurecer não é pra todos… “Envelhecer é inevitável, mas crescer é opcional”, eu repetia quase como uma oração aos que conhecia.
Veremos ainda mais e mais ‘alienação’ nos próximos anos… essa geração, infelizmente prefere o ‘fácil’, ao certo. Que os Antigos possam nos guiar quando a escuridão vier com ‘força total’ (parafraseando meu vizinho: -”Créu, velocidade 5!!!” X|
Grande abraço,
Duvessa =)